DOPAMINA: o neurotransmissor que antecede a felicidade

DOPAMINA: o neurotransmissor que antecede a felicidade

SÉRGIO ALMEIDA | FUNDADOR DO SEAL GROUP

 

 

Já se questionou de onde “vem a felicidade”?

Será algo intrínseco a cada ser humano ou dependente de fatores externos?

A dopamina é um neurotransmissor libertado pelo cérebro que desempenha, entre outros, o papel de “antecâmara da felicidade“.
Este neurotransmissor ativa diferentes áreas do cérebro, áreas que estão envolvidas no chamado “sistema de recompensa”.

Um dos principais especialistas sobre a temática da dopamina, Prof. Wolfram Schultz – (Neurocientista da prestigiada Universidade de Cambridge) descobriu nas suas experiências de condicionamento comportamental com macacos que não era a recompensa em si, que o macaco recebia após o exercício bem executado(neste caso uma banana), que libertava dopamina no macaco, mas sim o período imediatamente antes de receber a recompensa. Podemos assim afirmar que a dopamina é a antecâmara da felicidade.

Assim que os macacos se acostumaram por completo aos exercícios e respetivas recompensas, a libertação da dopamina cessou completamente. Apenas quando a recompensa era superada pelo aumento da quantidade de bananas, o cérebro do macaco reagia e aumentava novamente de forma significativa a produção da dopamina.

Traduzido para os seres humanos isto significa que as emoções desencadeadas por causa da expectativa da felicidade são sempre acompanhadas pelo aumento da produção da dopamina.

O investigador holandês na área de turismo Dr. Jeroen Nawijn estudou o significado da antecipação da felicidade, durante 8 semanas, em 1530 pessoas com viagem marcada. Os turistas que iam viajar mostravam níveis de alegria e felicidade, bem mais elevados do que aqueles que não tinham viagem marcada.

A conclusão do estudo de Nawijn, pela Universidade de Breda foi: a libertação de dopamina apresenta valores extremamente elevados, especialmente no período que antecede a viagem. Chegado ao local das férias, ela diminui consideravelmente.

Conclusão: Assim sendo, e para evitar que as suas férias se transformem numa decepção previsível, estabeleça novas metas, de forma obter constantemente a sensação emocional dos momentos da antecipação da felicidade. A antecipação da felicidade promove especialmente a libertação de dopamina.Será então suficiente estimular essa “hormona da curiosidade“, para obtermos novas ideias sobre o futuro?

O médico e neurobiólogo alemão Professor Tobias Esch descobriu na Harvard Medical School, nos EUA, que a felicidade é “treinável”. Neste estudo participaram 147 colaboradores de uma seguradora. Durante sete semanas foi-lhes enviado diariamente um e-mail para executarem tarefas enriquecedoras. Com uma duração de 10 a 15 minutos por tarefa, a intenção era promover comportamentos de bem estar, como por exemplo: praticar desporto; fazer pequenos gestos, como oferecer um presente, a um amigo; partilhar com amigos os próprios desejos e sonhos ou escrever um diário da felicidade. No final do estudo, todos os participantes foram questionados sobre as suas alterações de humor e os resultados foram impressionantes. Os efeitos nos participantes do estudo, em comparação com o grupo que não participou, eram de: mais felicidade; mais satisfação; mais relaxamento e mais atenção. Então, a felicidade e sentimentos de satisfação têm um efeito positivo e agem no nosso corpo, como uma substância psicotrópica – e não só: a felicidade reforça o sistema imunológico e aumenta a resiliência de todos os órgãos.

Segundo Tobias Esch, a capacidade de “ser feliz” é em 50% congénita, dependendo apenas em 10% de fatores externos e da intervenção pessoal em 40%.

Dito isto, então porque esperamos para exercer os nossos 40% de influência no exercício da nossa felicidade?